Usar CAA impede a criança de falar?
É a primeira pergunta de quase toda família, e a preocupação por trás dela é inteiramente razoável. A resposta da pesquisa é consistente há mais de vinte anos, e não é a que a maioria espera.
Não. Introduzir CAA não impede nem atrasa a fala. Em toda a pesquisa publicada, o efeito sobre a produção de fala vai de neutro a positivo — a maioria dos estudos que medem isso encontra ganhos, não perdas — e nenhum estudo encontrou a CAA suprimindo o desenvolvimento da fala.
O que a pesquisa encontrou
Essa preocupação foi estudada de forma direta e repetida, porque os profissionais a encontravam o tempo todo:
- Uma revisão sistemática de Millar, Light e Schlosser (2006) examinou estudos sobre intervenção com CAA e produção de fala. A grande maioria dos participantes teve ganhos na fala; nenhum apresentou queda atribuível à CAA.
- Schlosser e Wendt (2008) revisaram intervenções com CAA em crianças autistas e chegaram à mesma conclusão: nenhuma evidência de inibição da fala, com ganhos modestos frequentes.
- O trabalho de Romski e Sevcik sobre entrada de linguagem aumentada encontrou que crianças que receberam CAA junto com linguagem falada tiveram ganhos maiores em vocabulário falado do que as que receberam apenas linguagem falada.
Populações diferentes, métodos diferentes, a mesma direção de resultado. É das questões mais bem estabelecidas da área.
Por que funciona assim
Falar é difícil. O objetivo é a comunicação, e a fala é só um caminho até ela. Quando alguém finalmente tem um caminho que funciona, várias coisas acontecem ao mesmo tempo: a pressão diminui, as tentativas de comunicação aumentam e cada tentativa passa a vir acompanhada de um modelo falado — o aparelho diz a palavra, um adulto repete e a pessoa ouve o alvo enquanto acerta a mensagem. A CAA também torna óbvio para que serve a linguagem. Quem nunca conseguiu pedir nada tem pouquíssimo motivo para treinar o pedir.
Meu filho é novo demais?
Não existe idade mínima nem lista de pré-requisitos. A velha ideia de que a criança precisa demonstrar primeiro causa e efeito, atingir certa idade mental ou mostrar “prontidão” foi abandonada — fazia justamente as crianças que mais precisavam de comunicação esperarem mais tempo. Crianças bem pequenas usam CAA com sucesso. Se uma criança tem idade para querer alguma coisa, tem idade para ter um jeito de pedir.
Meu filho é velho demais?
Não. A CAA é introduzida com sucesso em adolescentes e adultos, inclusive em pessoas que falavam e perderam a fala depois de um AVC, uma lesão ou uma doença progressiva. O que muda com a idade é o vocabulário e a aparência do sistema — não se ele pode funcionar.
O que fazer a respeito
- Comece agora. Você não precisa de uma avaliação para deixar alguém testar um aplicativo gratuito. Esperar tem um custo; testar não tem.
- Modele sem exigir. Toque nas palavras enquanto fala, e não exija o uso do aparelho antes de atender a um pedido.
- Mantenha a fala bem-vinda. A CAA não substitui a fala que a pessoa tenha — aceite cada palavra, som, sinal e gesto. Tudo isso é comunicação.
Fontes
- Millar, D. C., Light, J. C., & Schlosser, R. W. (2006). The impact of augmentative and alternative communication intervention on the speech production of individuals with developmental disabilities: a research review. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 49(2), 248–264.
- Schlosser, R. W., & Wendt, O. (2008). Effects of augmentative and alternative communication intervention on speech production in children with autism: a systematic review. American Journal of Speech-Language Pathology, 17(3), 212–230.
- Romski, M., & Sevcik, R. A. (2005). Augmentative communication and early intervention: myths and realities. Infants & Young Children, 18(3), 174–185.
Esta página resume pesquisas publicadas para fins informativos. Não é orientação clínica — um fonoaudiólogo que conheça a pessoa pode ajudar a transformar isso num plano.
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